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Beachwear de estilo

31/03/2015 Moda - Por: Luciana Avelino

É calçando sapatilhas que Cila Borges dá conta do sobe e desce diário na fábrica de 4 andares, no Santa Efigênia. O prédio de 1.800 m2 de área construída, erguido há 2 anos para abrigar a produção da Cila, é o endereço matinal da empresária, precursora da moda praia na capital mineira. Na comemoração das 4 décadas de mercado, a marca está às voltas com a coleção de verão que inclui belíssimas estampas com patchwork de padronagens que fizeram a história da grife ao longo dos anos. Ao visitar a movimentação da fábrica e das lojas na Savassi e do BH Shopping – que reúnem cerca de 100 funcionários –, e olhar para trás, é incrível rememorar a trajetória de Cila, que começou a produzir seus biquínis numa tímida loja de 40 m2, na Savassi, com apenas uma costureira. “Os primeiros modelos eram feitos de algodão e, posteriormente, de tecidos com elastano.”

De lá para cá, a Cila não só evoluiu no setor nacional a partir de inovações tecnológicas têxteis e da apropriação de modelagem contemporânea, arrojada, como ampliou sua cadeia produtiva. Em 1994, lançou a Jump, marca esportiva masculina e feminina, no período em que as aulas de aeróbica passaram a lotar as academias de BH. Também investiu em peças elaboradas do pós-praia, que hoje configura a linha balneário, com direito a macacões e vestidos aptos para ganhar as ruas. A produção ainda agregou mais 2 grifes distintas assinadas pelas filhas: há dois anos, a Potti Romã, de lingerie para o público jovem de Luiza e, a recém TT, linha do beachwear sofisticado, com menos de dois meses, da primogênita Tetê Vasconcelos, também responsável pelo estilo da Cila junto com a mãe. Para se ter ideia da produção, a cada nova temporada de moda, só a Cila – sem contar Jump, Potti Romã e TT – contabiliza, por temporada, nova coleção com média de 70 peças. Entre os destaques da grife, a estamparia exclusiva.

O apuro na produção é, com certeza, item prioritário para Cila Borges. Durante a entrevista, ela mantém seus olhos de lince por onde passa na fábrica, da seção de corte de tecidos ao alinhavo das peças no salão das máquinas de costura. “O sucesso é fruto de muito trabalho, dedicação. Tenho um compromisso muito grande com o que faço”, diz a empresária na mesa de madeira que herdou do pai, José Gomide, onde ele fazia projetos de topografia, instalada na fábrica em meio a araras, caixas e estantes com livros de moda. No saldo dos 40 anos da marca, o empreendedorismo de Cila salta aos olhos. E pensar que tudo começou com uma vontade incrível de criar, dar liberdade ao corpo, quando, aos 16 anos, o primeiro biquíni que fez para usar caiu no gosto das amigas. Culpa de dona Mariquinha, a avó que a instigou, ensinando-a a costurar além dos modelos de roupas que fazia, quando criança, para suas bonecas.